domingo, 24 de abril de 2011

O falso apagador

O Tempo, aquele que muitos julgam como o borracha ou lavador cerebral, que te fará esquecer e apagar tudo. Só que não esquecemos nada, só mudamos nossa perspectiva, o ângulo de visão. E o tempo não é nenhum cicatrizante, ele só ajuda - veja bem, ajuda, não mais que isso - até porque só cicatrizamos qualquer mágoa, quando passamos a querer a cicatrizá-la. Quando realmente queremos nos cuidar e descobrir maneiras de transformar a mágoa em apenas lembrança.
E o Tempo? Tempo, Tempo, Tempo, destruidor, monstro, ajudante... Apenas o Tempo.
Da mesma forma que ouvimos uma música e gostamos e depois de um tempo paramos de ouvi-la com tanta assiduidade. As nossas emoções deixam de ser ativas, para serem passivas, continua sua existência, mas sem influência, porque veridicamente, não esquecemos nada. O Tempo não apaga nada. Só temos a escolha de como usar o que temos conosco. Se nossas lembranças serão fatores construtivos ou fatores destrutivos

domingo, 17 de abril de 2011

A saga feminina


        Ao ler sobre as antigas rainhas da Europa que marcaram a história, lê-se sobre tanto sobre os seus atos que marcaram, quanto sobre as suas famas de castas ou voluptuosas, ambiciosas e até maquiavélicas.   
        Mas ao pensar nisso também temos que parabenizá-las, porque provavelmente, elas deveriam ter muito sangue frio para viver naquela realidade. Ao se imaginar aquela época e se imaginar no lugar delas, e pensar que eram noivadas aos doze, treze, e até mesmo aos dez anos (às vezes antes mesmo de nascer) sem ao menos conhecer ou perguntar se realmente queriam aquilo. Além disso, poderiam encontrar tanto noivos tão crianças quanto elas, como também um velho, ou um cara repugnante tanto em maneiras quanto na aparência. Eram treinadas desde a infância para parecerem castas, submissas, tranquilas, educadas, perante a sociedade, não importasse seu estado de espírito. Então só restava mesmo era ambicionar a posição de Rainha.
       E a situação foi mudando, movimentos feministas ascenderam, querendo enfim desassociar a idéia de somente papel procriador para a mulher. Até que finalmente veio a pílula anticoncepcional, que transformou essa ideia e a partir de então a situação vem mudando e cada vez mais se é discutido a evolução da participação feminina ativa no mundo, até mesmo em famílias é visto que a submissão não é mais um ideal difundido.
     Porém, temos degradação de alguns aspectos da evolução feminina, que dessa vez não se pode culpar somente os homens e sim também as próprias mulheres. Mesmo tendo mudado a imagem da mulher de apenas procriadora, agora se tem à ideia de objeto. Temos exemplos vivos aqui no Brasil, das tais “mulheres frutas”, entre outras, que transformam seu corpo, querendo atingir medidas incríveis de seios e bunda para mostrar todo o seu poderio sensual, fazendo homens tolos (a mídia também) a disseminarem aquilo como idéia de mulher “gostosa”, além também de outras mulheres a passarem adotar esse ideal.
Ainda se têm também, revistas que pagam muitas atrizes, cantoras, subcelebridades, modelos, entre outras a fazerem fotografias sensuais. Ainda para piorar, as fotografadas, muitas vezes afirmam ser arte, como se fosse artístico promover a diversão masculina nos banheiros.  
        Espera-se, com esperança de muitas que se forme uma nova revolução, que transforme e exclua a associação de objeto a mulher e seja visto a crescente participação feminina em universidades, política, mercado de trabalho, na mudança de caráter submisso e sim valorizando a autenticidade e originalidade de cada uma, sem padrões fúteis, aí sim, teremos alcançado os tão sonhados ideais feministas de épocas anteriores.   


   
                                                                         

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Escrever


Eu escrevo sim. Não exijo plateia para os meus manuscritos, apenas quero extravasar o que borbulha na minha mente inquieta, que consegue produzir palavras em situações singelas. Porque pensamentos, explicações, palavras, simplesmente isso, transborda em mim e não consigo ficar em paz, pois, me incomoda a inércia de não pensar, de não sentir. Tenho a curiosidade de sentir o extremo, o exagero. Quero ter a coragem de investir em sonhos fantasiosos, que para muitos são vistos como inúteis.
Por ser uma sonhadora incurável, tenho a realidade como um desafio a ser enfrentado, os limites impostos são apenas algo a serem transpassados. Mesmo pensando assim, não sou ambiciosa, não quero a riqueza material, quero a riqueza de sentir meu coração bater e perceber a natureza ao meu redor, de viver coisas simples com intensidade.  

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Transtorno

A mudança é um transtorno. E quando está iminente, para alguns é pavoroso, mesmo que seja exigida para si mesmo. Esquece até mesmo do amor próprio, nos preocupando tanto com quem fará mal e não com o que nos faz mal. Vivemos uma batalha interior, discutindo se é egoísmo ou amor próprio, se as consequências serão tão graves e até mesmo a quem atingirá. Mas será que faz tão bem assim, para quem está a nossa volta, o que nos faz mal. E toda essas dúvidas e batalhas internas nos prende, deixa-nos inerte, e enquanto isso, assumimos uma máscara, que faz parecer que está tudo bem, que tudo nos faz bem.